Você é aclamado pelo que você não é. Dizer que está tudo bem é a primeira mentira, a mais fácil, basta dizer “sim”. E se disser “não”, terá de se explicar.
Dizer que o outro está bonito, diferente, charmoso, atraente, etc. Elogiar o bebê, o carro novo ou a roupa nova.
Até o rabisco do filho recebe mais elogios que qualquer obra de arte (o que os torna incapazes de discernir entre falsidade e sinceridade no futuro).
Aceitamos bem qualquer aprovação, e questionamos sua ausência. Temos de dizer o que falta para ficar tudo bem, ou para ficar bonito, como se isso fosse possível de se expressar com palavras.
Não nos contentamos com o buraco, com a falta de explicação, não nos contentamos com as justificativas simples (nem com as complexas). O melhor, no insuportável do buraco, acaba sendo mentir
Mentir é o mais aceitável dos sintomas. Se não gostássemos tanto das mentiras que gostamos não teríamos os políticos que temos, nem as expectativas que criamos, e com as quais nos frustramos.

